quinta-feira, 20 de junho de 2019


É tão tarde!
E eu nem sequer ainda acordei para um átomo do que sonhei...
quando morrer, repousem-me num castelo de geografia anónima.

Pode ser que assim tenha tempo para me procurar.


...da janela do espaço grávido de vazio, fugiram as palavras aflitas para a escuridão.
Delas, apenas  se ouvem os passos leves, levíssimos, dos fantasmas que habitam os recantos da  vida que se imaginou...


...não, já não tenho tempo para armazenar futuros...

Já nasceu viciada em solidão.
 Filha de uma luz única encostada a uma dolorosa sombra.
Sentou-se demasiado cedo a inventar o mundo. E continuou a inventá-lo com  olhos que o consumiam. Sem nunca lhe perguntar o preço do consumo.
 O mundo sempre lhe foi uma figura de passos demasiado móveis. Lá fora, numa moldura talhada a goiva de longe. Para ela, ali sentada. 
Um dia a morte meteu conversa com ela. Falaram de tudo. Numa sala desarrumada da memória. Ao fundo do corredor, numa casa de geografia  desconhecida. E amores ausentes.
A morte conseguiu convencê-la a levantar-se.
Levantou-se a custo. Contrariada. Pesava-lhe o tempo.
Lentamente e sem pressa, deixou de existir.
Tornou-se matéria volátil.
Uma matéria viciada em solidão.

segunda-feira, 17 de junho de 2019


...queria que me sobrassem olhos para ouvir os segredos das árvores sublinhadas no silêncio dos descampados ...

...mesmo quando a noite despe a lua e os ramos lhe sugam a luz... 
como dedos aflitos, forrados com luvas tecidas em medos...