Não gostou da terra pequenina onde nasceu (1904) e mudou a naturalidade para outra mais cidade: Figueira da Foz.
Esqueceu-se do primitivo nome de Glória Mendes e tomou o artístico de Maria Alice. E apenas. Sem apelido que lhe desse história.
Foi corista, fadista e empresária. Acabou (1996) como recatada dona de casa. Casada com o senhor nacional dos discos, Valentim de Carvalho de seu nome.
Ganhou prémios ao despique em Portugal e no Brasil.
E cantou (1945) o fado Perseguição, com moral de respeito, testemunha de tempos ajuizados: honrado é o marido que tem uma mulher guerreira da virtude.
A letra (a música é de Carlos Maia) de Avelino de Sousa, reza assim:
Se de mim nada consegues
Não sei porque me persegues
Constantemente na rua;
Saber bem que sou casada
Que fui sempre dedicada
E que não posso ser tua
Lá porque és rico e elegante
Queres que eu seja tua amante
Por capricho, ou presunção
Eu tenho um marido pobre
Que possui a alma nobre
E é toda a minha paixão
Rasguei as cartas sem ler
E nunca quis receber
Jóias ou flores que trouxesses
Não me vendo nem me dou
Pois já dei tudo o que sou
Com o amor que não conheces
Como sentinela alerta
Noite e dia sempre esperta
Na posição de sentido
Eu sou, a todo o instante
Sentinela vigilante
Da honra do meu marido


