quinta-feira, 19 de junho de 2014




Não gostou da terra pequenina onde nasceu (1904) e mudou a naturalidade para outra mais cidade: Figueira da Foz.

Esqueceu-se do primitivo nome de Glória Mendes e tomou o artístico de Maria Alice. E apenas. Sem apelido que lhe desse história.

Foi corista, fadista e empresária. Acabou (1996) como recatada dona de casa. Casada com o senhor nacional dos discos, Valentim de Carvalho de seu nome.

Ganhou prémios ao despique em Portugal e no Brasil.

E cantou (1945) o fado Perseguição, com moral de respeito, testemunha de tempos ajuizados: honrado é o marido que tem uma mulher guerreira da virtude.

A letra (a música é de Carlos Maia) de Avelino de Sousa, reza assim:

Se de mim nada consegues
Não sei porque me persegues
Constantemente na rua;
Saber bem que sou casada
Que fui sempre dedicada
E que não posso ser tua

Lá porque és rico e elegante
Queres que eu seja tua amante
Por capricho, ou presunção
Eu tenho um marido pobre
Que possui a alma nobre 
E é toda a minha paixão

Rasguei as cartas sem ler
E nunca quis receber
Jóias ou flores que trouxesses
Não me vendo nem me dou
Pois já dei tudo o que sou
Com o amor que não conheces

Como sentinela alerta
Noite e dia sempre esperta
Na posição de sentido
Eu sou, a todo o instante
Sentinela vigilante
Da honra do meu marido



















terça-feira, 10 de junho de 2014



"Só as pombas e os gatos te procuram quando envelheces;..."

diz Mathea, a personagem idosa, desastrada, síntese de ironia e humor negro sobre a descoberta  do processo de envelhecer sem nunca ter tido sequer uns parcos e caritativos (no seu caso) quinze minutos de fama , criada pela norueguesa nascida em... 1979, no livro Quanto mais depressa ando, mais pequena sou,
Kjersti Annesdatter Skomsvold.

Se calhar a velhice é uma memória enorme onde ninguém se conhece.